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sexta-feira, 20 de maio de 2016

"Aquário", de David Vann



Ao terceiro livro de David Vann (n.1966) editado em Portugal já se vai a medo. “Aquário” (Relógio d`Água) sucede a “A ilha de Caribou” (2011) e a “A ilha de Sukkwan” (2011), ambos editados pela Ahab. O leitor dos dois livros anteriores sabe que o autor nascido no Alasca desenha uma tenebrosa viagem pelo medo, ansiedade e agressividade do ser humano.
“Aquário” é o trajecto por essa negrura até chegar a uma resposta para a interrogação de Caitlin:
“Como juntar de novo uma família, como perdoar?”
Caitlin é uma menina de 12 anos que vive sozinha com a mãe. Todos os dias entra no aquário local para esperar que a mãe saia do emprego e a vá buscar. É nesse lugar que a menina vai encontrar o homem que tudo mudará: o seu avô, que havia deixado a avó de Caitlin, padecendo de doença terminal, aos cuidados da filha ainda criança. Desde muito cedo que o ódio tomou conta de Sheri Thompson, mãe de Caitlin. A infância foi perdida a limpar fezes e urina da sua mãe. A adolescência foi usada em bares de strip para poder pagar as contas.
Quando Caitlin afirma querer conhecer melhor o avô, tudo se precipita. O ódio impede um novo começo:

“Achas que o mundo começou contigo. Mas não. Começou comigo”, afirma Sheri Thompson.

TEXTO COMPLETO NA SÁBADO: 




segunda-feira, 13 de agosto de 2012

"A Ilha de Caribou" de David Vann (Diário Digital)

 "A Ilha de Caribou" de David Vann (Diário Digital)
Bem-vindos ao Inferno...


http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=587315



“A Ilha de Caribou”, editado pela Ahab Edições, é a felicidade cercada e dominada pelo desespero.
O dilema da morte, principalmente do suicídio, a degradação emocional e a influência depressiva do Alasca continuam muito presentes na motivação criativa de David Vann, autor do aclamado “ Ilha de Sukkwan”.
Em “A Ilha de Caribou”, o autor debate-se com esses temas tanto através da análise individual como matrimonial entre Gary e Irene, pais de Rhoda e Mark.
Gary e Irene, presos num casamento de décadas em que ambos não são felizes, vão construir uma cabana numa ilha.
A viagem de barco através de um lago sob crescente intempérie invernal e a construção da cabana num local isolado são elementos metafóricos da relação entre os dois. A força motriz da mudança é a vontade Gary e esta não coincide com o desejo de sua mulher.
 A deslocação para uma casa nova é a derradeira tentativa, inglória, de edificação de uma nova vida. Ela sabe isso. Mas a fantasia (Alasca idealizado, cabana) não se conjuga com a realidade (Alasca real, casamento). O tempo passado não pode ser recuperado. O caminho até chegarem a esta conclusão é doloroso, descendente, e demonstrativo de como as relações podem ser destrutivas.
Num jogo de ganhos e perdas, de avanços e recuos, a esperança ausenta-se. Enquanto ele foge de si mesmo, da sua consciência, ela tem muito medo da solidão. E o Medo é a palavra-chave deste romance. Sentimo-lo da primeira à última página.
O medo está em Rhoda perante a condição da mãe, está em Irene perante a falência do casamento e está, como sempre esteve, em Gary pela possibilidade de não cumprir com o que ele, individualmente, idealizou para si.
Devido à estrutura narrativa fundamentada na alternância entre vários focos, o leitor tem a possibilidade de acompanhar outras personagens (Monique, Carl…), sendo Rhoda um elemento essencial na narrativa. Ao observarmos os seus medos, anseios e ilusões em relação a si própria e à relação com Jim, seu namorado, torna-se evidente o paralelismo com os seus pais. Ela encontra-se na encruzilhada onde a mãe esteve há muitos anos: o casamento.
“Era o princípio do fim para Rhoda, a sua vida oferecida e desperdiçada com um homem que não a amava. Era o que iria acontecer, uma repetição cruel da vida de Irene (…)” Pág. 253
As relações afectivas enfrentam a total degradação e o leitor é confrontado com a possível partilha de características emocionais que, pressionadas pela inospitalidade do local, levam a um comportamento similar.
As estranhas dores de dor de cabeça, que começaram no primeiro dia da construção da cabana, vão debilitando cada vez mais Irene e diminuindo a reduzida tolerância do marido. As dores controlam-na. E ela recorda-se, constantemente, do dia em que, ainda criança, entrou em casa e viu a sua mãe enforcada. A incredulidade de outrora perante tal acto esmorece, lentamente…
O Inverno chega, rigoroso, a cabana está quase terminada e o desenlace adivinha-se.
David Vann, apesar da complexidade estrutural, evita a redundância e potencia o drama através de uma eficaz economia interna. Desta forma, apresenta uma obra à qual o leitor não fica indiferente.

“A Ilha de Caribou” é um lugar habitado pelo medo, ilusão, desilusão e dor.

Mário Rufino
mariorufino.textos@gmail.com










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