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Entrevista a Salman Rushdie. Fólio 2016





Foto CM_Óbidos

Realismo Mágico

"Senti que depois de estar tanto tempo a contar a verdade, fiquei farto de contar a verdade. (…)  Se olhar para trás, vejo que depois de acabar as memórias pousei um grande peso. " 


"O realismo mágico funciona quando o levas completamente a sério. Se isto estivesse a acontecer, como seria? Se acordasses, de manhã, numa em cama em Viena e tivesses sido transformado num insecto gigante? Como é que isso seria? " 


"Não há nada demasiado louco. Há só aquilo que consegues que as pessoas acreditem. Quando se sai do Naturalismo, tu tens que fazer com que o leitor diga "Ok. Eu acredito." E para fazeres isso, tu tens que fazer com que as personagens sejam verosímeis. O lugar onde tudo acontece tem de parecer real." 



Versículos Satânicos

"Apesar de ser um episódio que se passou há vinte e oito anos, é algo sobre o qual me perguntam sempre que falo com um jornalista. Não há muitos escritores a quem perguntam sobre o que escreveram há 28 anos. Foi quase há 30 anos. "Versículos Satânicos" foi o quinto livro que publiquei." 


"O principal problema para mim foi que muitas pessoas, que não leram o meu trabalho, pensaram que sou um escritor "negro". Não sou." 

"Penso que todos deviam ler o meu trabalho da frente para trás. Comecem agora e vão para trás. Quando chegarem aos "Versículos Satânicos" já vão ter uma ideia de quem sou." 

Religião

" A religião é um assunto entediante, mas infelizmente aqui está sentado no meio da sala. É muito difícil se estás a escrever sobre a sala e ignorares o que está sentado bem no meio." 

"Um elefante [no meio da sala] é pequeno em comparação. É um rato comparado com a Religião" 

"É claro que devemos gozar com a religião, pois a religião é absurda. Se não podes gozar com o absurdo, podes gozar com o quê?" 
"No que diz respeito ao extremismo religioso, claro que temos que gozar com ele." 
"Um das coisas que eu dizia sobre o ataque ao meu trabalho, era que era uma batalha entre os que tinham senso de humor e os que não tinham." 

Clara Ferreira Alves: "O teu amigo Christopher Hitchens escreveu um livro a dizer muito mal de Madre Teresa de Calcutá, uma nova santa. Ninguém tentou matá-lo. 
SR: "Não. Talvez excepto Madre Teresa. A verdade é que ele estava certo sobre Madre Teresa. Ela era muito suspeita. Recebeu dinheiro de Ceausescu, deixou pessoas morrer nos seus hospícios quando poderiam ter sido salvas nos hospitais. Ela é o oposto de uma santa". 


SR: "Não respondas à crítica com violência" 
CFA: "Não convidaste o Ayatola Khomeini para tomar chá para falar sobre o assunto. 
SR: Não me ocorreu. Mas deixa-me sublinhar que um de nós está morto. 
CFA: E não és tu. 
SR Sabem...Não se metam com escritores

"A Índia dos pais fundadores foi fundada com base na ideia do secularismo e na tolerância religiosa. Agora são ideias repetidamente desrespeitadas pela actual liderança. (…) 
"Penso que vivemos numa época negra. (…) na minha experiência, é a pior altura de que me lembro" 


Nova Iorque, escrita, e afins

"Sinto-me em casa." 

"Sempre me interessei por cidades com pessoas vindas de outros lugares." 

"Fui inspirado por escritores americanos mais novos do que eu. Existem escritores americanos de todo o lado"


CFA- "Quando era com Martins Amis os rapazes "cool", fumando charros..." 

SR- Eu, não... 

CFA"...não...e não inalou. Ainda é um rapaz cool" 

SR" Obrigado. Eu acredito em si...eles [público] não acreditam." 


Sociedade tecnológica 

"Antes quando alguém caminhava na rua na falar em voz alta, tu pensavas que essa pessoa era louca. Agora estão somente ao telefone. Toda a gente conta a sua história, quando discute com a namorada, ou explicam ao patrão a razão de não estar no trabalho. Toda a gente fala como se ninguém estivesse a ouvir." 


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