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segunda-feira, 12 de agosto de 2019

"A Justiça de Yerney", de Ivan Cankar





Caminhar descalço sobre pedras de arestas vivas. Eis o caminho de Yerney, peregrino solitário com destino inalcançável. A interrogação de Yerney é a força motriz para Ivan Cankar escrever esta novela: “Trabalhei durante quarenta anos; construí uma casa; o meu suor adubou os campos e as pastagens. A quem pertence tudo isto?” 
 O esloveno Ivan Cankar (1892-1927) escreveu em “A Justiça de Yerney” (Cavalo de Ferro) a via sacra de um homem triste em busca de justiça.  Cankar, um dos principais escritores eslovenos, foi ativista político com importantes ligações ao expressionismo católico e ao realismo socialista. Nasceu em Vrhnika e foi influenciado pelo naturalismo, realismo, decadentismo e simbolismo. É visto como o principal impulsionador do modernismo e do romance psicológico na Eslovénia. Características muito bem conjugadas neste livro, que viria a ser reverenciado por gerações posteriores. Yerney dedicou a sua vida ao trabalho e a Deus. Depois do seu patrão morrer, pensava que iria ter o merecido repouso. O corpo já velho e mastigado pelo labor continuo dava como certo um lugar à lareira sob o fumo do cachimbo. Mas tal não viria a acontecer. O filho de Sitar, seu falecido patrão, assumiu o lugar para revolta do operário. Começou a demanda por justiça. Na sua viagem entre Viena e Ljubljana, falará com padres, sábios e juízes; perguntará a camponeses e a “infiéis” onde mora a justiça; palmilhará caminhos agrestes para encontrar o que procura. Sempre sem sucesso. Todos o escarnecem e o desprezam. Segundo Yerney, quem toma conta de uma quinta não é pedinte nem vagabundo; quem semeia a terra e a aduba com o suor tem o direito de colher o produto, pois a labuta é de quem trabalha. Mas agora vinha o filho do patrão, assentando os seus direitos no sangue, colher o que ele havia trabalhado ao longo de décadas. O escritor consegue pôr em contraste o consolo celestial com a imperturbável frieza do ser humano. O personagem encontra nos céus o que a terra lhe nega. “Passou por muitos funcionários e juízes que o olhavam severamente; falaram-lhe asperamente; expulsaram-no; empurraram-no de porta em porta. Não protestou, não ameaçou, pois o seu coração era demasiado puro, a sua fé inabalável; não se revoltou quando o trataram como uma criatura tola ou uma criança. Por causa da justiça suportou o escárnio e o desprezo; não objectou, não se queixou quando lhe disseram que era um imbecil e parecido com uma criança. «Deus iluminá-los-á e perdoar-lhes-á, pensou Yerney Cankar optou por uma estrutura muito simples, numa novela sucinta, onde a angústia do personagem é posta em evidência através da dialéctica. As ideias do indivíduo são contrariadas pelas ideias de uma maioria. Tanto na estrutura narrativa como na ideologia, a dialéctica põe em contraste os direitos detidos pelo capital com o proclamado e exigido direito de quem produz. Por muito que pesem as pernas a este sexagenário, a procura pela justiça empurra-o pelo caminho de pedras. E ele continua, como Cristo no calvário. É por demais evidente a presença de ideias adjacentes ao cristianismo na prosa de Cankar. O personagem não desiste e remete para Deus a derradeira justiça. Por mais que se sinta defraudado, por mais que o vilipendiem, agridam e escarneçam, Yerney mantém fé inabalável no aparecimento da luz que o irá alumiar. “Luta, apóstolo, luta!”, afirma para depois decidir não mais ser vítima. Como o Cristo, ele trouxe a discórdia. E Cristo acabou como mártir. Curto, incisivo e desafiador, “A Justiça de Yerney” tem tudo o que é preciso numa novela deste género. Seja o leitor de esquerda ou de direita, apologista do capital ou aguerrido combatente dos operários, este é um livro para ler sem contra-indicações.


Autor : Ivan Cankar
Editor : Cavalo de Ferro
Data de lançamento :24/06/2019
EAN : 978-9898864697
ISBN : 9789898864697
Nº Páginas : 96

 






domingo, 4 de agosto de 2019

"Lanny", de Max Porter


Sobre um grande livro de Max Porter





https://observador.pt/2019/08/03/as-maravilhas-que-se-descobrem-com-max-porter/

sábado, 27 de julho de 2019

Shot#14: “Em tudo havia beleza” (ou “Ordesa”)




Foi apontado como Livro do Ano pelo o El País, El Mundo, El Heraldo e La Vanguardia. O Jornal de Letras atribuiu encómios ao romance do poeta Manuel Vilas.  “Em tudo havia beleza” (Alfaguara) revelou-se um livro que ganharia em pungência se tivesse menos cem páginas. A redundância acabou por ser inevitável. E o enfado também. É um bom livro, mas que devido ao proselitismo de Manuel Vilas sobre a sua dor não chega à excelência. Se o intuito foi dotar a prosa de uma respiração lenta, pausada, é um caso de sucesso. Mas ganharia muito mais se não caísse em redundância, se fosse mais incisivo. Seria mais impactante. Vilas não cai em queixumes estéreis neste relato íntimo sobre a sua vida. Mas aborrece ao alimentar-se daquela dor que, bem analisada, dificilmente poderia sustentar um romance capaz de manter o leitor agarrado do princípio ao fim. “Em tudo havia beleza” (ou “Ordesa”) é a via sacra do autor pelos seus problemas de alcoolismo, infidelidade, económicos. Vilas analisa-se como filho, após a morte de seu pai e de sua mãe. Ele tenta perceber o seu passado para se conhecer melhor. E visita esse passado, desde os aspectos culturais de Espanha que influenciam o seu comportamento até aos hábitos banais, dos gestos simples, que passaram de pai e de mãe para filho. “[A minha mãe] Dizia muitas vezes « o diabo está nesta casa», quando procurava algo e não o encontrava. (…) Eu herdei o mesmo princípio de demência. Procuro coisas que tenho à minha frente, como um livro ou uma carta ou uma camisola ou uma faca ou uma toalha ou umas meias ou um documento de um banco, e não sei vê-las. A minha mãe estava convencida de que o demónio lhe escondia as coisas, que o demónio era o culpado dos pequenos contratempos. (…) e eu sou ela agora (…)” 
 O autor consegue não se resumir a um universo pessoal. A mentalidade espanhola está bem espelhada nestas páginas. É uma mais-valia, mas o grande mérito de Vilas é outro: a honestidade com que se revela. Um bom livro, vale a pena o dinheiro, mas não o “hype” criado à sua volta.


ISBN: 9789896656515
Edição ou reimpressão: 02-2019
Editor: Alfaguara Portugal
Idioma: Português
Dimensões: 149 x 233 x 27 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 400


segunda-feira, 24 de junho de 2019

Anna Kalimar: CELA| Connecting Emerging Literary Artists


Anna Kalimar






 CELAConnecting Emerging Literary Artists




O Projecto:

O projeto CELA (Connecting Emerging Literary Artists) abre o palco europeu a uma nova geração de criadores literários. Permite uma cooperação transnacional intensiva entre talentosos escritores, tradutores e profissionais literários europeus em início de carreira. No decurso do projeto, os participantes enfrentam algumas das mais exigentes realidades da nossa era — de fraturas cada vez mais acentuadas na Europa a um setor editorial em mudança — e põem-nas em perspetiva, partilham o seu trabalho e colmatam o fosso que os separa do setor editorial e do público europeu.
As organizações literárias de seis países europeus uniram forças para fundar o projeto de incubação de talentos cela — Connecting Emerging Literary Artists. Partilhamos a necessidade de estabelecer uma infraestrutura sustentável de incubação de talentos para preservar a diversidade da literatura europeia e dar maiores oportunidades a línguas minoritárias. 
O projeto proporciona um percurso de dois anos com formação, instrumentos e uma rede que visam tornar possível uma carreira internacional e estabelecer uma prática profissional integrada. Com uma atenção em competências e mobilidade transnacional, incluímos especialmente as oportunidades digitais na literatura, novas formas de os participantes conseguirem emprego e rendimento.
Cada edição do projeto cela decorre durante dois anos. No primeiro ano, as organizações literárias orientam os escritores, tradutores e profissionais literários e proporcionam-lhes um programa multinacional de residências, formação e master classes para os preparar para trabalhar no mercado europeu e para um público internacional. No segundo ano, os participantes são inseridos por via de marketing internacional e campanhas publicitárias, uma digressão por festivais
europeus e apresentações ao público e a profissionais europeus por escritores e tradutores de renome (os nossos embaixadores cela) e organizações literárias. 

Os autores e tradutores participam em campanhas internacionais, festivais literários em diferentes países e numa rede de trabalho que proporcionará contacto entre todos os participantes.
Kick-Off: Hay Festival Segovia (Espanha)Tinto-no-Branco- Festival Literário de Viseu (Portugal), Book Fest (Roménia), Pisa Book Festival (Itália), Lev-Literatura em Viagem (Portugal), Passa Porta Festival (Belgium), Wintertuinfestival (Holanda) recebem os autores e tradutores do projecto CELA.

Parceiros:
Booktailors
Escuela de Escritores
Flemish-Dutch House deBuren
Passa Porta
Pisa Book Festival
Wintertuin

Biografia

Anna Kalimar

Ano de nascimento 1991
Nascida Roménia
Vive e trabalha em Bucareste
– Autora do romance The Irradiation of Some World (2008)
– Vencedora de um concurso nacional para escritores iniciantes (2008)
– Na sua obra de estreia, surreal e singular, as histórias têm temas e dimensões variadas, que têm encantado os leitores
–Atrai um público jovem (com base na idade media das personagens e nos temas abordados)
– «Faz-me pensar nos ambientes visionários de Magritte, de algum modo» (Vanni Santoni, autor italiano)



Sobre Anna Kalimar

«Ainda me lembro de fazer nove anos e receber um caderno de apontamentos. Era um caderninho robusto, com folhas brancas, quase tão macias como seda. Tinha uma imagem da Terra na capa. Escrevia pequenos textos nele, frases aleatórias muitas vezes. Palavras cujo som eu achava bonito ou que pensava adequarem-se a um sentimento.» Anna Kalimar fala sobre as suas memórias de forma expressiva. «Era um livro bonito, pergunto-me onde é que andará», termina, sorrindo. Levanta os olhos e acena com a cabeça com a mesma determinação. Um pequeno sinal que indica satisfação, como que estimando a sua própria abertura, mas ao mesmo tempo pondo-lhe um fim.
«Em Bucareste, segui o curso de cinema. Era para ser realizadora, gostava da ideia: o cinema é um meio visual e isso atrai-me.» Ela ri-se um pouco: fá-lo muito e especialmente no final das frases. Não porque tenha dito algo com piada, mas como se quisesse preencher o silêncio. Ela conta que gostou do curso de cinema: achou particularmente «interessante» o trabalho de grupo que a produção de cinema envolvia. Parecem palavras despreocupadas, mas que indiciam também a modéstia de Kalimar.
Aparenta ser o tipo de pessoa que se mantém amavelmente à parte num grupo, ainda que ela própria possa não gostar de interpretações desse género.
«Penso que não deves examinar o teu próprio trabalho com demasiada minúcia. Isso está fora de questão», explica Kalimar. Ela pega na garrafa de água que tem à sua frente em cima da mesa e segura-a a poucos centímetros da cara. «Assim também não consigo ver quase nada», ela fita o rótulo através das lentes dos óculos, quase tocando a garrafa com o nariz. «Foi por isso que pedi a uma amiga que descrevesse o meu trabalho», diz com entusiasmo, e volta a colocar a garrafa em cima da mesa.
Puxa de um bloco de apontamentos do bolso interior do casaco. «A minha amiga diz, e cito, que gosto de escrever sobre o absurdo, sobre a falta de
amor. E interesso-me por pessoas que conseguem escapar às limitações com que cresceram.»
Vê-se, mais uma vez, que ela não quer sobretudo manchar demasiadas palavras ao falar sobre o seu próprio trabalho. «Gosto de escrever», diz, encolhendo os ombros de forma desafiante. «Que mais posso dizer acerca disso?» Com um sorriso aberto, ergue os braços por uns instantes. Não desvia o olhar. «Nunca quis ser escritora. Queria escrever.»
Coaduna-se perfeitamente com o que Kalimar deixa transparecer: 
ela preferia falar sobre o seu trabalho. Parece não se importar que lhe façam um retrato deste género, mas antes queria omitir-se do mesmo. Por último:
terá o seu percurso em cinema influenciado a sua escrita? De novo, não desvia o olhar. Kalimar fica em silêncio por uns segundos. O olhar dela cai sobre o bloco de apontamentos. Enche o peito de ar, e por momentos parece que vai soltar um suspiro, mas depois diz lentamente: «É provável. Penso que sim. Gosto de descrever. Tenho, talvez, uma sensibilidade especial para roupas e decoração. Como se gostasse de pintar, no imaginário do leitor.» Volta-se a notar a sua abertura de espírito. Ela levanta um dos cantos da boca, algo entre um sorriso e um esgar.

Vídeo


Conto de Anna Kalimar

Deveria ter sido simples. Segues pelo corredor, primeira porta à direita, abre-la com um pontapé atirando-a à parede, olhas com satisfação para os seus rostos perplexos, percebes como a perplexidade se transforma em terror quando sacas da pistola e, sorrindo, disparas. E disparas de novo. E uma vez mais, até ninguém ficar de pé, exceto tu. A seguir, pões-te a andar dali e bebes um café. Sem problemas. Sem açúcar. Ninguém sabe que foste tu, porque de facto tu não existes. Estás na posse da tua própria certidão de óbito. Bizarro, olhá-la dessa maneira. Sentes um murro no estômago. O mesmo murro quando levas flores para a tua própria campa. Em vez disso, abres a porta com jeitinho e sorris. Oferecem-te um chá. Preenches um formulário. Até voltares a ti, já casaste com a caixeira e o vosso filho chama-se Hector. Seguramente, mudaste-te para outra cidade, com o nome de um tipo que na realidade já faleceu. Sem dúvida, alguém te ajudou neste propósito em troca de uma mala com dinheiro, à meia-noite, numa estrada no meio do nada. Durante a noite trabalhas num bar e de dia tentas vender próteses. Deseja uma perna? Uma mão? São muito resistentes, não precisa de as tirar para tomar banho. Temos de várias cores. Você e a sua nova mão verde serão a alma de qualquer festa! O teu filho é um dos bandidos de um bando de malfeitores e rouba lojas. Vende erva em espeluncas imundas e uma das vezes em que estava pedrado partiu a cabeça a um puto. A tua mulher detesta-te e acha que tudo aquilo que é mau na vida é culpa tua, mas mesmo que fosse forçada não to diria. Tem um emprego mais bem remunerado que o teu e suspeitas que ela tem um caso com o chefe. Tens consciência da tua própria imaterialidade. Embora do exterior a tua vida pareça normal, tu, de facto, não existes. E, num belo dia, desaparecerás. 
   O homem que não existe veste uma jaqueta de couro castanho e sai de casa. Não leva chaves nem telemóvel. Em vez disso, deixa um bilhete dizendo que não regressará, para que o deem como desaparecido e ponham a polícia na sua mira. Pela primeira vez desde há muito começa a sentir-se real. É um zé-ninguém. E um ninguém pode ser absolutamente qualquer um. Não está ligado a nada. Pode deslocar-se para qualquer lugar. Na sua mente, ainda persiste a imagem daquele corredor. É provável que sinta pena por não ter pressionado o gatilho naquela altura. Mas talvez tivesse dado no mesmo. Existem muitas situações sem saída, a que alguns homens apelidam de «destino». Tal como alguém obcecado por ti e indiferente ao teu comportamento insiste em fazer-te sofrer. Mas, em vez disso, podes sempre sumir. Talvez naquele dia tivesse sido melhor teres tomado café e te teres mantido longe daquele edifício.


Tradutor:

SIMION DORU CRISTEA

Simion Doru Cristea (1965) nasceu em Bistrita, Roménia. É licenciado em Cinema na Faculdade de Filologia de Babes-Bolyai. É pós-graduado em Filologia e História pela mesma universidade.
Publicou várias críticas, participou em publicações colectivas e publicou livros em seu nome:Manifestul elevului de nota 10 (The Manifest of the A mark Student, Dokia Publishing House), Funcția symbolic-mitică în textul religios (Symbolic-mythic function in Religious text, Cluj-Napoca, GEDO Publishing House) e o romance Să trăiți, Domule Președinte (God speed, Mister President, Cluj-Napoca, Dokia Publishing House).







sexta-feira, 21 de junho de 2019

Shot #13: O Chefe da Estação Fallmerayer







O longo caminho para a decência. 

Uma ruptura na banalidade dos dias leva o chefe de uma estação de comboios a mudar radicalmente a sua postura. Adam Fallmerayer era um homem previsível, confiável para a sua “um pouco limitada” mulher e seus dois filhos, até ao dia em que um comboio-expresso embate num comboio de mercadorias. Fallmerayer ocorre em auxílio das vítimas. Nesse fatídico momento, conhece uma condessa russa, também casada, a quem cede o seu quarto e a sua cama para se restabelecer. A partir daí, o perfume feminino irá tomar conta de cada espaço do domicílio e do seu pensamento. “Aquele estranho aroma ficou entranhado na casa e gravado na memória, sim, poder-se-ia dizer até no coração de Fallmerayer muito mais tempo do que a catástrofe” 
Há tanto desalento na prosa de Roth que se torna difícil não a acompanhar. Esta indigna descida em espiral de Fallmerayer não augura esperança para a personagem. Um homem confiável, até banal, numa profissão com características monótonas é modificado por uma presença feminina. Nem a Grande Guerra o levará a desistir de a procurar e de a tomar como sua. Nem a Grande Guerra, nem sua mulher, seus filhos e muito menos o marido da condessa, entretanto desaparecido em combate.
A melancolia da prosa dá lugar a um vórtice imparável que o levará a deixar mulher e filhos na procura daquela paixão. Ninguém conhecedor do chefe de estação previa aquele voluptuoso destino. A distância entre o casal foi sendo cavada pelo marido. Rapidamente, ele percebeu que a solidão ansiada não era mais do que necessidade de distância. Ele queria estar afastado de sua mulher para poder pensar na condessa russa. Até conseguir concretizar a sua volúpia, Fallmerayer, luta na Grande Guerra, é ferido, agraciado, promovido a tenente, internado, não usufrui de licença. Começa a aprender russo para poder galantear a condessa. “Aprendeu expressões de carinho, expressões de descrição, preciosas expressões de carinho russas. Falava com ela. Estava separado dela através de uma grande guerra mundial e ele falava com ela.” Roth resume a luta do personagem na guerra com meia-dúzia de frases para se poder concentrar no desenvolvimento da obsessão. Fallmerayer sai de casa, vence as dificuldades, e viaja até casa da condessa. Joseph Roth, autor da obra-prima “Judeus Errantes”, exercita a economia da prosa para se manter no essencial. ”O Chefe da Estação Fallmerayer” (Assírio e Alvim; com introdução de Álvaro Gonçalves) é mais um exemplo da excelência da sua escrita. Há, felizmente, muito para ler deste autor nascido em Brody (1894). “O Leviatã”, “A Marcha de Radetzky”,  “Confissão de um Assassino”, “Fuga sem Fim”, “A Lenda do Santo Bebedor” e “Jó - romance de um homem simples” estão traduzidos para português. “O Chefe da Estação Fallmerayer” foi publicado em 1933. Seis anos depois, Roth, cuja vida foi marcada pelo alcoolismo, iria falecer devido a pneumonia e insuficiência respiratória. 



O Chefe de Estação Fallmerayer

ISBN: 978-972-37-2075-4
Edição ou reimpressão: 03-2019
Editor: Assírio & Alvim
Idioma: Português
Dimensões: 117 x 185 x 7 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 80



 

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