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quarta-feira, 8 de julho de 2020

O Macaco Bêbado Foi À Ópera: uma crítica ao ensaio de Afonso Cruz








Homem de muitos instrumentos, Afonso Cruz parece não desafinar. Desta vez o autor nascido na Figueira da Foz publica na colecção “Retratos da Fundação” (Fundação Francisco Manuel dos Santos) um ensaio sobre álcool. Mais especificamente sobre a presença do álcool na vida do ser humano. O Macaco Bêbado Foi À Ópera – Da Embriaguez À Civilização tem mais virtudes do que defeitos. Uma mais-valia entre as virtudes é a visão de Afonso Cruz.


A exegese vai desde os astros aos fungos, passando pelo crescimento do cérebro e do rabo do macaco (com influência na sexualidade humana). O ângulo de abordagem faz jus ao título do livro. A estranheza refresca os neurónios mais saturados. É uma marca de autor. Afonso Cruz olha para o mundo de forma diferente, a escrita reflecte as suas ideias, e tudo é bem mais bonito nas suas palavras. Neste livro encontramos ecos de obras tão diferentes como Jesus Cristo Bebia Cerveja,  e até mesmo – devido às idiossincrasias humanas – do livro infantil A Contradição Humana.

O cheiro de fruto maduro, carregado de açúcar, fez com que o macaco descesse à terra, pousasse os pés no solo, e começasse à procura de mais frutos. A recompensa valia o perigo. Foi o primeiro passo para milénios mais tarde o macaco ir à ópera. Mas tudo começa muito antes. Segundo Patrick E. Govern, em Uncorking the Past: the Quest for Wine, Beer, and Other Alcoholic Beverages, existem gigantescas nuvens de metanol, etanol e álcool vinílico no espaço interestelar e sistemas estelares envolventes. Uma dessas nuvens – bem próxima da Via Láctea – é Sagitário B2, que contém álcool para encher garrafas de vodka com peso cinco vezes maior do que todos os planetas do Sistema Solar, afirma Nicholas P. Money em The Rise of Yeast: How the Sugar Fungus Shaped Civilization.

Desde a composição do universo até às construções sociais, Afonso Cruz vai ancorando teorias em diversos autores. A principal é a já mencionada “drunken monkey theory”. O macaco desceu das árvores à procura de açúcar [nos frutos] para ter mais energia. Essa energia possibilitou ter um cérebro maior e com mais plasticidade. A inteligência foi lentamente aumentando. Mas não só de açúcar se tratou. Os frutos demasiado maduros estão em fermentação, criam etanol.

“Resumindo: o macaco desce da árvore porque lhe cheira a álcool e isso significa açúcar, energia, calorias, consequentemente um cérebro maior, e muitos milénios depois a possibilidade de ir à ópera.”

Daqui o autor dá um salto ideológico e temporal carente de uma respiração mais calma, profunda, mas inadequada para o formato proposto nesta colecção. Do impulso biológico para a construção ideológica há um avanço abrupto. O consumo de calorias foi aumentando ao longo da evolução até ao exagero. A acumulação de gordura é “o primeiro mecanismo biológico da ganância”. O desenvolvimento resultou em mecanismos mais complexos.

Segundo Afonso Cruz, a pulsão simples foi-se manifestando em formas diferentes. A acumulação de energia como a lenha, carvão petróleo, ou energia eléctrica e nuclear correspondem ao desejo de açúcar, ou seja, de energia. A acumulação de prata, ouro, jóias e propriedades dizem respeito à gordura, que pode vir a ser transformada em energia. A base é biológica, mas a consequência é política. A acumulação pode ser benéfica (colecção de livros, de arte), ou trazer consequências nefastas. O ser humano cai num ciclo vicioso de ganância, apropriação, escravidão, capitalismo.

“O crescimento económico contínuo é a insaciabilidade do macaco bêbado.”

Antes de ópera e do capitalismo, o macaco bêbado passou pela agricultura de subsistência. A civilização suméria, que ficou conhecida como a civilização do pão e da cerveja, considerava que o ser humano só assim poderia ser considerado após comer pão e beber cerveja. Esta bebida, a que o autor se dedica a produzir, era consumida como alimento, com fins medicinais, em ritos religiosos e para se alcançar um “estado semimágico de consciência”, vulgo bebedeira.

Uma vez que era mais fácil fazer cerveja do que cozer pão (não é preciso forno para a cerveja), é bastante provável que a cerveja tenha surgido primeiro. Afonso Cruz partilha as ideias de Nicholas P. Money, em The Rise of Yeast, quando este sublinha:

“A afirmação de que a civilização foi provocada pelo nosso amor ao álcool tem por base a teoria de que o cultivo de cereais e a sedentarização visaram promover matéria-prima para a cerveja. Esta ideia foi originalmente proposta na década de 1950 e contrapunha a hipótese ‘o pão veio primeiro como deflagrador civilizacional’.”



Passados milénios, a bebida alcoólica mudou de perfil. Depois de sustentar passou a fornecer abundância de calorias a uma sociedade cada vez mais sedentária. A energia tornou-se em gordura. Acresce o facto de a bebida estar já longe de ser parte importante da “roda dos alimentos”. Tornou-se produto altamente consumível em lógica de mercado e de lucro. Da alimentação passou a ser parte importante da socialização. Antes do “estado semimágico” o ser humano chega à jovialidade e espontaneidade. A bebida suaviza o filtro social e alimenta a criatividade. Quantos estados de apatia terão sido rasgados com a força do álcool? Basta um bar.

“O álcool poder ser a porta de entrada para a necessária demência, temporária como convém.”


Aristóteles, em Fragmentos, distingue a embriaguez do consumo ligeiro de álcool. Para o filósofo grego, beber não é condenável desde que haja abstinência de disparatar como faz o bêbado.

Abordando o tema desde o universo até à construção cultural e artística, em que o “macaco” é interveniente, Afonso Cruz refresca os conhecimentos do leitor com um ensaio sobre o álcool. Um ensaio com qualidades e defeitos. Um tema tão vasto pede um ensaio com as características diferentes da colecção em que se insere. O autor precisaria de mais espaço para desenvolver fundamentos e diluir a divisão entre assuntos. Ou de adaptar melhor o tema ao formato.

Afonso Cruz não sabe escrever mal. Somente oscila entre o bom e muito bom. O Macaco Bêbado Foi À Ópera – Da Embriaguez À Civilização é um bom ensaio.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

A herança de Salazar em ‘Eliete’, de Dulce Maria Cardoso








“Eliete - uma vida normal parte I” (Tinta-da-China) tem tudo para ser um livro aborrecido. Só que é escrito por Dulce Maria Cardoso. É a capacidade da autora que afasta o livro do fracasso e faz dele um dos melhores de 2018.

Desvendar o espaço que nos separa das outras pessoas é uma das maiores conquistas do novo romance de Dulce Maria Cardoso (n.1964). Depois de “O Retorno”, a escritora nascida em Trás-os-Montes apresenta-nos Eliete, personagem principal nesta cartografia sobre a solidão.

Eliete é uma mulher normal. Podia ser nossa vizinha, podia ser até um de nós. A sua família é composta por avó, mãe, marido e duas filhas. E muito espaço por preencher entre todos os elementos. O pai morreu ainda Eliete era criança. Tornou-se um herói como só os que morrem jovens conseguem ser. Com o crescimento, ela foi desmanchando essa imagem e juntando uma outra, sempre incompleta, de um ser humano com defeitos.

A vida de Eliete é uma vida trivial, preenchida por uma profissão que lhe dá alguma segurança, mas também desconsolo, e um casamento em que não se sente feliz, mas sem chegar à ruptura. É uma mulher mal-amada dentro de um contexto pueril. Até um dia perceber que essa normalidade a aprisiona. A ruptura é lenta, paulatina, mas perene. Nada será como antes.

“Eliete – uma vida normal parte I” (Tinta-da-China) tem tudo para ser um livro aborrecido. Só que é escrito por Dulce Maria Cardoso. É a capacidade da autora que afasta o livro do fracasso e faz dele um dos melhores de 2018.

É mais fácil (ou menos difícil) escrever sobre rupturas. O incesto, o crime, determinado acidente é material evidente. Já sobre a banalidade inerente ao quotidiano, sobre a anestesia injectada pela rotina, a marca de autor(a) faz a diferença. Dulce Maria Cardoso mostra a sua mestria na análise fina aos comportamentos, no seu decifrar e, sempre, na deíctica de que os movimentos mais banais sublinham a constante incapacidade de eliminar a solidão.

“(…) sentia-me inconsolavelmente só, como se a história da osga me tivesse dado a consciência súbita e aguda da prisão que cada cabeça era, que cada vida era, cada um de nós entalado na sua vida, na sua cabeça (…)”




A narração na primeira pessoa intercala a infância sob a sombra de Salazar, da Revolução, e de como a falta de meios materiais a impedia de ter mais conforto, com o meio da sua vida, em que a paixão pelo marido desaparece juntamente com a juventude, e os sonhos são afastados por duas crianças cada vez maiores, mais adolescentes, mais distantes. Da censura passou-se à ostentação de todas as formas de comunicação, através do Instagram, do Tinder e do Facebook.

Ao criar um perfil no Tinder, e após um match, Eliete afirmou já não estar só. A realidade escarnece do desejo, a irrealidade alimenta-o. Não há profundidade nem empatia; há artificialidade e aparência. E assim Eliete (através da personagem Mónica e com fotos falsas) vagueia nas redes sociais, alimentando e satisfazendo o desejo de ser uma outra pessoa, num outro contexto. O resultado é o mesmo que sentira quando assistiu ao golo do Éder na final do Europeu: um desajustamento com a normalidade.

É o pós-Retorno, sem deixar o Antigo Regime cair no esquecimento. Salazar “emoldura” esta história. Aliás, mais do que emoldurar — com menções fulcrais no princípio e no fim do romance — o antigo ditador parece ser uma presença fantasmagórica na identidade individual e colectiva dos portugueses. Somos ainda produto desse tempo?

Em entrevista à TSF, Dulce Maria Cardoso afirmou:

“O romance, para mim, é sobre a identidade e ao questionar-me sobre a identidade, a da Eliete, a minha, e por arrasto a do país, eu percebi que era herdeira do Salazar. Possivelmente seremos todos.”

Essa identidade é desenhada a partir do ditador, passa pela descolonização, e delineia uma geração que nunca viveu a miséria, nem a guerra; uma geração viciada em subsídios da CEE. Os acontecimentos posteriores a um optimismo embriagante viriam a resultar numa crise intensa, que levaria à vinda da troika. Estamos numa nova fase da escrita de Dulce Maria Cardoso. E a personagem por si criada ainda não disse tudo o que tinha a dizer. Há muito mais para ser contado.

Eliete faz sombra sobre as personagens dos livros que vierem a seguir. É necessária uma espécie de “ressaca” para o leitor voltar a entrar num outro ambiente, ocupado por outros avatares. Não é a história que conquista o leitor. É a forma como Eliete é construída e como a história é contada.

Dulce Maria Cardoso inscreve-se na literatura portuguesa ao lado de escritores e escritoras como Hélia Correia, Lídia Jorge, Mário Cláudio, ou Maria Velho da Costa.

sábado, 6 de junho de 2020

Shot #22: "Que Nós Estamos Aqui", de João Tordo






Já ouvimos falar. Conhecemos. Provavelmente, temos amigos ou familiares. No entanto, somos distantes. Não ajudamos. É ao assumirem-se como anónimos, ao organizarem-se em apoio mútuo, que encontram um caminho. 
João Tordo (Lisboa, 1975) foi conhecer as suas histórias para poder contá-las em “Que Nós Estamos Aqui – 12 passos para a recuperação”, na colecção “Retratos” da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Saber contar histórias é um princípio insuficiente quando se pretende retratar a dor real de gente com muitas cicatrizes. Sabendo disso, João Tordo investigou os princípios dos doze passos, quis saber mais sobre o “Big Book”- manual de todos os alcoólicos"-, tentou conhecer as ideias de Bill Wilson, inventor do programa, entrevistou adictos e retratou-os com humanidade. “Que Nós Estamos Aqui” é um instrumento útil para conhecermos as dificuldades de quem é posto à margem, seja por vontade própria ou alheia. Em ambos os casos, o “Retrato” escrito pode ser uma preciosa ajuda para aproximarmos margens.  Estes grupos de ajuda tiveram o seu início em 1930, nos Estados Unidos da América. Os Alcoólicos Anónimos foram o primeiro grupo, antes de haver réplicas estendidas a outras dependências. A estrutura assenta na compreensão, na tolerância, em reuniões sistemáticas com partilha de experiências e num caminho de doze passos. É um caminho inóspito, com muitas pedras e armadilhas. É um caminho difícil para todos, impossível para alguns. João Tordo ouviu as suas mensagens, escreveu desde o âmago. Estes peregrinos- e há tanto de divino no caminho proposto- poucas vezes chegam ao destino, ao último passo, mas é nesse caminho, no andar com a vista na próxima etapa, que a abstinência se constrói, momento após momento, dia após dia, ano após ano.  João Tordo, o repórter, entrega um trabalho de grande utilidade sem descurar a estética inerente a quem sabem escrever. Um livro para todos, mesmo sendo dedicado “aos que ainda não encontraram a porta.” 





Autor: João Tordo
Editor: Fundação Francisco Manuel dos Santos
Data de lançamento: 18/02/2020
ISBN: 9789899004054
Dimensões: 13,2 x 20 cm
Nº Páginas: 72
Encadernação: Capa mole













segunda-feira, 6 de abril de 2020

Shot #21: "Viagens", de Olga Tokarczuk







O júri do Prémio Nobel parece ter dado um pontapé na porta para abrir caminho a Olga Tokarczuk (1962, Sulechów), tal foi a surpresa.  
Nome desconhecido-excepto entre os leitores mais avisados- a escritora polaca não fica, no entanto, devedora da qualidade. Já havia sido consagrada com o “Prémio Internacional Man Booker em 2018” e louvada por Svetlana Alexievich, outro nome provocador de enorme surpresa ao ganhar o Nobel. 
“Viagens” (Cavalo de Ferro) é caminho escrito por mão segura e sabedora. O tema da viagem é uma espécie de “holding” agregadora de diferentes deslocações. O tempo, a geografia e a emoção são percorridos por Tokarczuk, intercalando fragmentos e despistando, por vezes, o leitor. 
Não é uma viagem linear; é antes feita de episódios reveladores da essência da verdadeira deslocação, seja física ou mental. Algo muda quando nos movimentamos; o regresso dá-se a algo parecido ao ponto de saída. Tudo é o mesmo, mas nós já mudámos. 
O homem só pode ser descrito quando em movimento, a deslocar-se desde um ponto de partida, mas não necessariamente com destino certo. Há um “eu” fora da sua rede de relações. 
A psicologia da viagem opõe-se à psicologia tradicional, aquela que estuda o homem num contexto de imobilidade e estabilidade. 
Em “Lectio Brevis”. A autora polaca reduz ao âmago a ideia subjacente a todo o livro. Diz a personagem, numa lição breve num aeroporto: 
“Um conceito importante na Psicologia da Viagem é o desejo; é ele que empresta movimento ao ser humano e lhe indica a direcção, despertando nele o impulso de se dirigir rumo a algo. O desejo em si é vazio, quer dizer, apenas aponta para uma direcção, mas não para o objectivo; o objectivo mantém-se sempre fantasmagórico e pouco claro; quanto mais nos aproximamos dele, mais enigmático ele se torna. Não se pode satisfazer o desejo. O conceito que ilustra este processo de aspiração é a preposição «para». Para-algo.” 
E até a própria estrutura da narrativa parece ser justificada nas palavras da palestrante. 
Nas ideias normativas das ciências exactas não existe “qualquer primum filosofico”; isso implica a impossibilidade de construir uma argumentação baseada numa relação causa-efeito, “nem narrativas de acontecimentos casuisticamente sucessivos e resultantes uns dos outros.” 
Em detrimento da sequência linear, é a constelação a demonstrar a verdade do caminho. 
O Comité de decisão do Prémio Nobel de Literatura tem vindo a tentar abrir o cânone literário. Bob Dylan, Svetlana Alexievich e agora Torkaczuk- embora em menor grau do que os anteriores- constroem narrativas afastadas da estrutura mais romanesca.  
"Viagens" é quase inclassificável. Pode um romance ser assim? Pode, porque não há género narrativo mais moldável e permeável do que o romance.  E esta estrutura de “Viagens” é a forma ideal para as ideias de Olga Tokarczuk. 
“A vida humana é constituída por situações. Existe, porém, uma certa inclinação para repetir comportamentos. Mas essa repetição não implica que não se possa atribuir à vida a ilusão de esta ser um todo com a sua própria sequência”


 Autor Olga Tokarczuk
Editor Cavalo de Ferro
Data de lançamento 04/03/2019
EAN 978-9896232702
ISBN 9789896232702
Dimensões 15 x 22,5 cm
Nº Páginas 352
Encadernação Capa mole
Preço 19,99







terça-feira, 24 de março de 2020

"Uma Boa Morte", de Hans Kung






"Os Despojos do Dia", de Kazuo Ishiguro





sábado, 21 de março de 2020

Shot #20: "Chuva Miúda", de Luis Landero





Há algo escondido nas famílias disfuncionais. Principalmente nas famílias disfuncionais. Luis Landero (Badajoz, 1948) aponta para o “punto cego” das relações entre as pessoas com a mesma história, ou parecida, mas interpretada com grandes diferenças. Há pontos de contacto, embora a dinâmica da narrativa dependa da disparidade entre as diversas versões. 
Todos as angústias familiares tinham estado em “banho-maria” até uma ideia provocar uma disrupção. 
Gabriel decide celebrar o octogésimo aniversário da mãe; em consequência, convida as irmãs e respectivo agregado para a festa. É a entrada num mundo de rancores, um abanão que vai espevitar a madorna azeda de histórias antigas. A culpa, essa, mora sempre no outro. A razão está em quem conta. A verdade está quebrada em tantos pedaços quantas conversas existem. Ou, se assim preferirmos, não mora em lado nenhum. E Aurora ouve, ouve, vai enchendo sem um protesto, vai acumulando queixumes e tensão...  Vai ficando ensopada em chuva miúda. Ela é o “ponto de fuga” de todas as personagens; a confidente a quem contam cada pensamento, confronto, dilema, dúvida.
"«(...) Estás a ouvir, Aurora?» e, sim, Aurora continuava a ouvir o incessante fluxo daquelas pequenas histórias familiares que nunca tinham fim, mais não fosse porque era preciso repeti-las para parecerem cada vez mais verdadeiras e adquirirem entretanto maior dramatismo, e porque, na incubadora da memória, até os episódios mais triviais ganham com os anos a significação e a grandeza de um prenúncio ou de um desígnio, até acabarem por encaixar na trama de um destino fatal" 
Luis Landero montou uma estrutura polifónica, fluída, capaz de enlear o leitor e de espelhar famílias que conhecemos. A narração de Landero, consciente e próxima, dá, muitas vezes, a iniciativa às personagens, sem intermediação, que conversam ao telefone com Aurora. O drama está sempre à espreita e quando o leitor não espera que tudo piore... 
Em crescendo, deixando adivinhar uma apoteose, a história não deixa, contudo, de surpreender. 
“Chuva Miúda” (Porto Editora) foi considerado Livro do Ano 2019 pela crítica espanhola. A tradução é de Miguel Filipe Mochila. 




ISBN: 978-972-0-03275-1
Edição/reimpressão: 02-2020
Editor: Porto Editora
Código: 03275
Idioma: Português
Dimensões: 152 x 235 x 19 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 240
Tipo de Produto: Livro







































































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