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sábado, 22 de outubro de 2016
FOLIO: João Fazenda recebe o Prémio Nacional de Ilustração
João Fazenda recebeu o Prémio Nacional de Ilustração durante o Fólio - Festival Internacional de Óbidos. «Dança» (Pato Lógico), editado em 2015, foi o livro premiado pela Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB).
A Galeria NovaOgiva, onde decorria a "PIM! II Mostra de Ilustração para Imaginar o Mundo", foi o local escolhido para a cerimónia.
Miguel Honrado, Secretário-Geral da Cultura, entregou o prémio de vencedor a João Fazenda, por "Dança" (Pato Lógico), e a "Menção Honrosa" a Yara Kono, pelo livro "Gato Procura-se" (Caminho). Bernardo de Carvalho, distinguido com "Menção Honrosa" por "Verdade?!" (Pato Lógico), não esteve presente na cerimónia.
No discurso de abertura, Humberto da Silva Marques, Presidente da Câmara Municipal de Óbidos, começou por dizer que "a cultura não é apenas uma matéria de contemplação e nostalgia, mas que é verdadeiramente o motor de uma qualquer economia." E defendeu a existência de um evento como o Fólio ao afirmar que "a cultura pode ser um verdadeiro motor de desenvolvimento económico de territórios de baixa densidade, com efeito de contaminação em sectores clássicos como a indústria e a agricultura".
Sendo a segunda vez que o Prémio Nacional de Ilustração é entregue no Fólio, é vontade de Humberto da Silva Marques e de Silvestre Lacerda, Secretário-Geral da DGLAB, que seja o começo de uma nova tradição.
Numa breve declaração, o Secretário-Geral da Cultura afirmou que "o Fólio, apesar da sua pouca idade, já é uma referência em termos nacionais. O Festival de Óbidos tem sido um exemplo bastante importante na valorização do território".
Jutta Bauer, autora convidada a participar no Fólio, esteve presente na cerimónia. A "Nobel" da literatura infantil confessou sentir-se desconfortável perante o olhar do público. Preferia que olhassem para as ilustrações. E eram muitas. A exposição "PIM! II Mostra de Ilustração para Imaginar o Mundo" contou com as colaborações de ilustradores como Ana Biscaia, André Neves, Marta Torrão, Paulo Galindro, Rachel Caiano, Yara Kono, Bernardo Carvalho, João Fazenda e muitos outros.
O ilustrador lisboeta nascido em 1979 soma o Prémio Nacional de Ilustração (20ª edição), no valor de 5.000 euros, a prémios como "Melhor Livro de banda desenhada português - Festival Internacional de BD da Amadora (2000) ", "Awards of Excelence – Society of News Design (USA, 2002,2003, 2006 e 2008), e a o "Grande Prémio Stuart de Desenho de Imprensa", para a melhor ilustração da imprensa portuguesa.
João Fazenda terá ainda o apoio de 1500 euros para a participação na "Feira Internacional do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha" . O seu trabalho pode ser consultado em www.joaofazenda.com
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=843696
Fólio: O cáustico e hilariante Salman Rushdie
As ruelas de Óbidos estavam mais patrulhadas do que em outros momentos do Fólio- Festival Literário Internacional de Óbidos. Era o dia mais esperado pelo público do evento. Salman Rushdie estava presente para conversar com Clara Ferreira Alves. E, ao contrário de Naipaul, viria a conquistar a plateia.
O sucesso foi maior do que o esperado. A organização teve de mudar o local da entrevista devido à elevada procura de bilhetes. A sala de 250 lugares onde V. S. Naipaul foi entrevistado era pequena. Salman Rushdie tinha mais público do que o Nobel. A solução foi utilizar a sala de concertos, com cerca de 450 lugares sentados… e espaço para um “elefante”.
"Um elefante [no meio da sala] é pequeno em comparação. É um rato comparado com a Religião", disse o escritor nascido em Bombaim.
"A religião é um assunto entediante, mas infelizmente aqui está sentado no meio da sala. É muito difícil se estás a escrever sobre a sala e ignorares o que está sentado bem no meio."
Desde “ Versículos Satânicos” que o autor tem sobre si uma “fatwa”. O assassinato de Salman Rushdie valerá 500 mil euros ao assassino. Desde 1989, ano em que a “fatwa” foi divulgada, o prémio foi aumentado duas vezes.
Muitas obras depois, o escritor ainda é interrogado sobre o livro que provocou a ira de fanáticos religiosos.
“Apesar de ser um episódio que se passou há vinte e oito anos, é algo sobre o qual me perguntam sempre que falo com um jornalista. Não há muitos escritores a quem perguntam sobre o que escreveram há 28 anos. Foi quase há 30 anos. "Versículos Satânicos" foi o quinto livro que publiquei.".
Salman Rushdie não fugiu das perguntas de Clara Ferreira Alves, apesar de confessar o cansaço com o tema religião. Como ser humano e escritor, que tem muito pouco interesse pela religião, sente que tem de ter interesse para saber lidar com o mundo actual. De outra forma, não estaria a olhar para os temas importantes.
O autor recordou as ideias revolucionárias defendidas em Maio de 68. Rushdie tinha cerca de vinte anos. Temas como o feminismo, os direitos civis e a guerra estavam no centro da discussão. A religião como tema estava ausente. Ninguém o discutia. Foi assumido que o tema estava acabado. Era história antiga. Ninguém pensava que voltaria com uma força tão grande. Os diversos atentados despertaram o ocidente para uma guerra imposta pelo fundamentalismo islâmico. Charlie Hebdo foi um desses momentos de terror. Salman Rushdie viu-se envolvido na polémica sobre a publicação das ilustrações. Segundo o autor...
"É claro que devemos gozar com a religião, pois a religião é absurda. Se não podes gozar com o absurdo, podes gozar com o quê?"
Para sua surpresa, autores como Junot Diaz ou Joyce Carol Oates desaprovaram a publicação dos “cartoons”.
Posteriormente, veríamos que a culpabilização da vítima não funcionava, defendeu Rushdie. Os atentados aconteceram em diversos locais sem ligações religiosas.
"Não respondas à crítica com violência".
Clara Ferreira Alves sublinhou que o escritor não havia propriamente convidado o ayatollah Khomeini para tomar chá e falar sobre o assunto.
"Não me ocorreu. Mas deixa-me sublinhar que um de nós está morto".
"E não és tu", complementou a jornalista.
Não se metam com escritores, disse Rushdie continuando a demonstrar o seu bom humor.
O principal problema para Rushdie, referindo-se ainda a “Versículos Satânicos”, é que os leitores pensam que ele era um autor negro. E aconselhou:
“Penso que todos deviam ler o meu trabalho da frente para trás. Comecem agora e vão para trás. Quando chegarem aos "Versículos Satânicos" já vão ter uma ideia de quem sou."
O realismo mágico é “marca de água” de grande parte da sua obra. A jornalista portuguesa, exemplificando com os fantásticos “jinn”, interrogou o escritor sobre se ele não pensava, por vezes, que o realismo mágico era demasiado louco.
"Não há nada demasiado louco. Há só aquilo que consegues que as pessoas acreditem. Quando se sai do Naturalismo, tu tens que fazer com que o leitor diga "Ok. Eu acredito." E para fazeres isso, tu tens que fazer com que as personagens sejam verosímeis. O lugar onde tudo acontece também tem de parecer real."
Como é que não se morre de frio num tapete que voa nas alturas? Como se mantém equilibrado? Como resolver os problemas de uma personagem que levita alguns centímetros sobre o chão? São perguntas que o autor se propôs a resolver em algumas das suas obras.
“O realismo mágico funciona quando o levas completamente a sério.”
Não há magia na realidade actual. São os tempos mais negros que o autor viveu, conforme afirmou.
Salman Rushdie não se inibiu de tecer comentários pejorativos sobre Donald Trump, Marine Le Pen e, principalmente, Boris Johnson, a quem chamou “uma das piores pessoas do mundo”.
A terminar a conversa, Clara Ferreira Alves perguntou-lhe sobre o Prémio Nobel.
Salman Rushdie fingiu adormecer na cadeira. Tudo terminou com gargalhadas do público.
(fotos da CM Óbidos)
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=844587
Fólio: Entrevista com Jón Kalman Stefánsson
Era uma das presenças mais aguardadas no Fólio – Festival Literário Internacional de Óbidos. Jón Kalman Stefánsson veio do frio e desmontou alguns lugares comuns da crítica literária sobre a sua obra. Durante a sua participação, o autor escandinavo espalhou boa-disposição e compensou a frustrante entrevista dada por V.S. Naipaul, um dos grandes nomes da edição de 2016.
Horas antes do encontro marcado com os seus leitores, o autor de "O Coração do Homem" deu uma entrevista ao Diário Digital, em "The Literary Man- Óbidos Hotel".
"O Coração do Homem" (Cavalo de Ferro), recém-chegado às livrarias, fecha a trilogia proposta pelo autor. "Paraíso e Inferno" e "A Tristeza dos Anjos", obras antecedentes, estabeleceram Stefánsson como um autores escandinavos contemporâneos mais lidos em Portugal.
"O Coração do Homem" (Cavalo de Ferro), recém-chegado às livrarias, fecha a trilogia proposta pelo autor. "Paraíso e Inferno" e "A Tristeza dos Anjos", obras antecedentes, estabeleceram Stefánsson como um autores escandinavos contemporâneos mais lidos em Portugal.
O seu desconforto com fotos e entrevistas depressa foi substituído pela disponibilidade própria de um bom conversador. Ainda antes das perguntas, Stefánsson falou sobre a sua vida de jornalista. “Foi no século passado”, afirmou. Era o tempo dos gravadores de cassetes. Contou que estava sempre preocupado com o facto de a cassete poder acabar e ele não reparar. Chegou a perder informação. Os gravadores digitais resolveram esse problema. Não tivemos que repetir nenhuma pergunta ou resposta.
Teve a ideia de escrever "Paraíso e Inferno" depois de ouvir um programa de rádio. O que causou tanto impacto?
Sim, foi num programa de rádio em 1995. Era sobre uma mulher notável do norte da Islândia. No meio do século XIX, a Mulher não tinha quaisquer direitos. Uma mulher não podia ir à igreja sem o consentimento do marido. Era a lei.
Esta mulher notável tornou-se rica e poderosa. Por causa disso, ela afrontou o poder exercido pelos homens. Para mim, a história era sobre os direitos das mulheres, mas também sobre a supressão por poderes invisíveis, "sem cara". Eu sabia que tinha de a escrever, mas, naquela altura, eu estava a escrever o meu primeiro romance e tive que pôr esta história de lado. Nunca deixei de pensar que, mais cedo ou mais tarde, tinha de a escrever.
Sim, foi num programa de rádio em 1995. Era sobre uma mulher notável do norte da Islândia. No meio do século XIX, a Mulher não tinha quaisquer direitos. Uma mulher não podia ir à igreja sem o consentimento do marido. Era a lei.
Esta mulher notável tornou-se rica e poderosa. Por causa disso, ela afrontou o poder exercido pelos homens. Para mim, a história era sobre os direitos das mulheres, mas também sobre a supressão por poderes invisíveis, "sem cara". Eu sabia que tinha de a escrever, mas, naquela altura, eu estava a escrever o meu primeiro romance e tive que pôr esta história de lado. Nunca deixei de pensar que, mais cedo ou mais tarde, tinha de a escrever.
E estava destinada a ser um romance?
Eu só escrevo romances. Bem, o meu primeiro livro de ficção é considerado por algumas pessoas como um conjunto de narrativas breves. Para mim é um romance.
Pareceu-me existirem muitos confrontos em "Paraíso e Inferno": Vida versus morte, escuridão versus luz, homem versus natureza.
Eu nunca escrevo a pensar nisso. Não decido o que vou fazer e como o vou fazer. A minha mente não trabalha assim. Quando escrevo tenho, obviamente, uma história na minha cabeça, mas assim que a começo a escrever tudo começa a mudar.
Eu só escrevo romances. Bem, o meu primeiro livro de ficção é considerado por algumas pessoas como um conjunto de narrativas breves. Para mim é um romance.
Pareceu-me existirem muitos confrontos em "Paraíso e Inferno": Vida versus morte, escuridão versus luz, homem versus natureza.
Eu nunca escrevo a pensar nisso. Não decido o que vou fazer e como o vou fazer. A minha mente não trabalha assim. Quando escrevo tenho, obviamente, uma história na minha cabeça, mas assim que a começo a escrever tudo começa a mudar.
Não segue um plano...
Não. Tenho alguns apontamentos antes de começar, mas depois de dois ou três dias a escrever deito-os fora. São inúteis. De certa forma é como tocar música. Improviso. Tens um "feeling" de que algo vai acontecer, sem ter, no entanto, uma pista do que vai acontecer.
Aquela "neblina" e o ritmo que existem na narrativa vieram da poesia?
A história em si é importante, mas está longe de ser a única coisa que importa. O estilo é tão ou mais importante do que a história. O estilo é a forma como contas a história. Podes ter a melhor história do mundo, mas está morta se não a contares numa maneira interessante.
Não. Tenho alguns apontamentos antes de começar, mas depois de dois ou três dias a escrever deito-os fora. São inúteis. De certa forma é como tocar música. Improviso. Tens um "feeling" de que algo vai acontecer, sem ter, no entanto, uma pista do que vai acontecer.
Aquela "neblina" e o ritmo que existem na narrativa vieram da poesia?
A história em si é importante, mas está longe de ser a única coisa que importa. O estilo é tão ou mais importante do que a história. O estilo é a forma como contas a história. Podes ter a melhor história do mundo, mas está morta se não a contares numa maneira interessante.
É onde vê a sua voz autoral?
Sim, exactamente. Quando começo a escrever é esta a pergunta principal: "como é que vou contar?" Obviamente que quero contar histórias, mas quero mais afectar muito o leitor. Não quero somente que leia e goste, mas que o afecte de uma maneira que o faça pensar na vida e na própria existência. Eu ponho pequenas coisas num texto que pretendem afectar o leitor constantemente. Não o faço de forma consciente. Quando escrevo não estou a pensar nisso. É a minha respiração que vai para o texto. Ser poeta explica, de certa forma. Escrever um romance é, em parte, técnica de poesia. A poesia é ilógica. E é a forma como pensamos. Nós quereremos acreditar que pensamos de uma forma lógica, mas é treta. O tempo não é em "linha recta". Não funciona assim. A nossa mente e o nosso sangue estão cheios de passado, de coisas que nos aconteceram e de palavras que alguém nos disse. Todo o tempo nós estamos parte no passado e parte no presente. Nesse sentido, o tempo não existe. O passado e o presente são invenções nossas.
Sim, exactamente. Quando começo a escrever é esta a pergunta principal: "como é que vou contar?" Obviamente que quero contar histórias, mas quero mais afectar muito o leitor. Não quero somente que leia e goste, mas que o afecte de uma maneira que o faça pensar na vida e na própria existência. Eu ponho pequenas coisas num texto que pretendem afectar o leitor constantemente. Não o faço de forma consciente. Quando escrevo não estou a pensar nisso. É a minha respiração que vai para o texto. Ser poeta explica, de certa forma. Escrever um romance é, em parte, técnica de poesia. A poesia é ilógica. E é a forma como pensamos. Nós quereremos acreditar que pensamos de uma forma lógica, mas é treta. O tempo não é em "linha recta". Não funciona assim. A nossa mente e o nosso sangue estão cheios de passado, de coisas que nos aconteceram e de palavras que alguém nos disse. Todo o tempo nós estamos parte no passado e parte no presente. Nesse sentido, o tempo não existe. O passado e o presente são invenções nossas.
É a voz de poeta e não a de um jornalista...
Sim... Quis contar a história dessa maneira para me aproximar da forma como pensamos e vivemos. Se lermos um romance linear, temos algum prazer. Mas eu não queria escrever dessa forma. A vida não é linear. A vida não é ir numa direcção; é ir sempre em todas as direcções. Eu quero pôr isso nos meus textos.
Os espíritos são um "coro grego"? Pensou nisso quando escreveu? São muito portugueses. Estão-se sempre a queixar...
[risos] Tem algo a ver com ilhéus. Vocês são quase ilhéus. Pensamos que os outros são melhores do que nós.
Tem a ver com técnica e com o que temos falado: a forma de contar uma história. Eu sabia que ia escrever sobre algo de há um século e não de há uma década. No entanto, eu não queria escrever um romance histórico. Queria também que o leitor sentisse que estava a ler sobre o seu próprio tempo e não só sobre o passado. Eu queria ter uma voz que conhecesse o passado e o nosso tempo.
Sim... Quis contar a história dessa maneira para me aproximar da forma como pensamos e vivemos. Se lermos um romance linear, temos algum prazer. Mas eu não queria escrever dessa forma. A vida não é linear. A vida não é ir numa direcção; é ir sempre em todas as direcções. Eu quero pôr isso nos meus textos.
Os espíritos são um "coro grego"? Pensou nisso quando escreveu? São muito portugueses. Estão-se sempre a queixar...
[risos] Tem algo a ver com ilhéus. Vocês são quase ilhéus. Pensamos que os outros são melhores do que nós.
Tem a ver com técnica e com o que temos falado: a forma de contar uma história. Eu sabia que ia escrever sobre algo de há um século e não de há uma década. No entanto, eu não queria escrever um romance histórico. Queria também que o leitor sentisse que estava a ler sobre o seu próprio tempo e não só sobre o passado. Eu queria ter uma voz que conhecesse o passado e o nosso tempo.
Uma voz intemporal?
Sim, sim...pode ser problemático. Essa foi a resposta. Não veio de uma forma lógica, simplesmente veio. Eu estava constantemente a pensar como contaria a história daquela forma. Depois escrevi a primeira frase na primeira pessoa do plural, "Nós...". Perguntei-me sobre quem era este "Nós". Então percebi que era a voz das pessoas que estão presas entre a vida e a morte. Elas têm a esperança de serem libertadas desse limbo e passar para a morte, caso consigam contar a história de tal forma que afecte muito o leitor.
É muito importante que as palavras afectem os leitores para que estes libertem aquelas vozes.
Acerca do poder das palavras, Barour paga com a sua vida por andar sempre a ler "Paraíso Perdido", de Milton. Esta pergunta parece-me ser muito importante na trilogia:
Para que serve a literatura? Torna as pessoas melhores?
Sendo escritor, espero que o meu trabalho tenha algum significado. Se olharmos para a poesia e para ficção, ao longo da história, percebemos que os maiores autores escreveram sobre uma profunda necessidade de mudança, seja na sua própria vida ou mesmo na sociedade. Está sempre na história da Humanidade que a palavra pode afectar. Se olharmos bem para trás, para tempos bem antigos, as pessoas acreditavam que se podia lançar um feitiço com as palavras, caso estas fossem ditas num certo ritmo. Podiam levar as pessoas às lágrimas, matar, ou abrandar o tempo. Harry Potter não foi o primeiro a fazê-lo.
Na Bíblia, como é que Deus cria o Universo? Com palavras. Se Deus ficasse em silêncio, tudo se manteria na escuridão.
Tenho esta crença quase ingénua ou desesperada de que a palavra pode afectar as pessoas. Sei que a poesia ou a ficção não afecta as pessoas como afectava antes, mas continua a manter esse poder. E deve tentar exercê-lo. Se o autor desiste da ideia de que a palavra pode mudar o mundo, algum "poder negativo" prevalece.
Em "A tristeza dos anjos", segundo livro da trilogia, Jens entrega correio, ou seja, ele entrega palavras. Continuamos atrás da salvação pelas palavras.
Era terrível ser carteiro na Islândia. Não se conseguia atravessar montanhas por causa do mau tempo.
As cartas, nesse tempo, eram tudo. Eram consolação...eram tudo...tudo. Parte da nossa história está nas cartas. Nos arquivos, nós podemos ler cartas do século XVIII. Muitas das cartas contam-nos a história daquela época, sobre as condições de vida e ainda sobre os sentimentos das pessoas. As cartas sempre me fascinaram. O nosso tempo preocupa-me, pois ninguém escreve cartas. Agora só escrevemos “emails”, ou pomos fotos no instagram. Eventualmente as cartas vão desaparecer. Ninguém imprime uma carta, por isso o que se escreve acaba por desaparecer. Penso no que será de nós. Provavelmente nada. Não haverá memória colectiva.
Jens não terá oportunidade para entregar cartas.
As cartas são uma forma de combater a solidão?
Sim, sim... Naquele tempo, não havia praticamente aldeias na Islândia. As pessoas viviam em fazendas isoladas, tal qual eu descrevo nos livros. Não tinham visitas durante semanas ou meses. As cartas eram muito importantes. Receber ou enviar uma carta era espantoso. E não nos esqueçamos: o que fazemos de melhor por nós mesmos, muitas vezes, é escrever. Não é necessário enviar. Esquecemo-nos o quão importante é escrever. Vinte ou trinta anos depois, tens a tua vida escrita e os teus filhos podem lê-la.
Talvez seja melhor não...
Só quando morrermos! Aí já podem. [risos]
A palavra escrita é extremamente importante.
Em "A Tristeza dos Anjos", Jens diz "Tu estás sozinho, eu estou sozinho, por isso não existe "Nós". É uma voz colectiva que representa os islandeses?
Sim e não. Se olharmos para Clint Eastwood, em alguns dos seus filmes, podemos "ver" o Jens.
Jens é extremista. É considerado um personagem muito forte. Tal qual os "heróis" nos filmes de Clint Eastwood, Jens não fala muito. É um homem de poucas palavras. Na Islândia isso sempre foi considerado como força de carácter. Jens é assim. No entanto, se analisarmos bem, também pode ser uma fraqueza. Não falas dos teus sentimentos. Em consequência, não sabes como lidar com eles. Não falas com os outros. Não dás nada. É mau para aqueles que te são próximos.
Podemos ver essa situação em Barour ["Paraíso e Inferno"], não podemos? Ele está sempre a ler e nunca fala. Os companheiros vêem isso como uma fraqueza.
Sim, exactamente. E ler muito não é "cool", na Islândia.
"O Coração do Homem", último livro da trilogia, começa algumas horas depois do fim de "A tristeza dos anjos". O livro começou a ser vendido esta semana. O que nos pode dizer sobre "O Coração do Homem"?
Lembro-me de quando publiquei o meu livro de ficção, em 1996, fazerem-me uma pergunta sobre de que se tratava o livro. Lembro-me de ter ficado bloqueado num silêncio. [risos] Percebi que nunca pensava num livro dessa forma. Primeiro fiquei embaraçado, mas depois percebi que tinha dificuldades em descrever porque não penso no livro assim. O meu trabalho é como uma sinfonia, para mim.
Contar a história não é o mesmo. É como a diferença entre descrever a comida e comê-la. Podes descrever a comida, mas não a saboreias. Contar sobre o que é o livro é deixar de fora quase tudo.
Sim, sim...pode ser problemático. Essa foi a resposta. Não veio de uma forma lógica, simplesmente veio. Eu estava constantemente a pensar como contaria a história daquela forma. Depois escrevi a primeira frase na primeira pessoa do plural, "Nós...". Perguntei-me sobre quem era este "Nós". Então percebi que era a voz das pessoas que estão presas entre a vida e a morte. Elas têm a esperança de serem libertadas desse limbo e passar para a morte, caso consigam contar a história de tal forma que afecte muito o leitor.
É muito importante que as palavras afectem os leitores para que estes libertem aquelas vozes.
Acerca do poder das palavras, Barour paga com a sua vida por andar sempre a ler "Paraíso Perdido", de Milton. Esta pergunta parece-me ser muito importante na trilogia:
Para que serve a literatura? Torna as pessoas melhores?
Sendo escritor, espero que o meu trabalho tenha algum significado. Se olharmos para a poesia e para ficção, ao longo da história, percebemos que os maiores autores escreveram sobre uma profunda necessidade de mudança, seja na sua própria vida ou mesmo na sociedade. Está sempre na história da Humanidade que a palavra pode afectar. Se olharmos bem para trás, para tempos bem antigos, as pessoas acreditavam que se podia lançar um feitiço com as palavras, caso estas fossem ditas num certo ritmo. Podiam levar as pessoas às lágrimas, matar, ou abrandar o tempo. Harry Potter não foi o primeiro a fazê-lo.
Na Bíblia, como é que Deus cria o Universo? Com palavras. Se Deus ficasse em silêncio, tudo se manteria na escuridão.
Tenho esta crença quase ingénua ou desesperada de que a palavra pode afectar as pessoas. Sei que a poesia ou a ficção não afecta as pessoas como afectava antes, mas continua a manter esse poder. E deve tentar exercê-lo. Se o autor desiste da ideia de que a palavra pode mudar o mundo, algum "poder negativo" prevalece.
Em "A tristeza dos anjos", segundo livro da trilogia, Jens entrega correio, ou seja, ele entrega palavras. Continuamos atrás da salvação pelas palavras.
Era terrível ser carteiro na Islândia. Não se conseguia atravessar montanhas por causa do mau tempo.
As cartas, nesse tempo, eram tudo. Eram consolação...eram tudo...tudo. Parte da nossa história está nas cartas. Nos arquivos, nós podemos ler cartas do século XVIII. Muitas das cartas contam-nos a história daquela época, sobre as condições de vida e ainda sobre os sentimentos das pessoas. As cartas sempre me fascinaram. O nosso tempo preocupa-me, pois ninguém escreve cartas. Agora só escrevemos “emails”, ou pomos fotos no instagram. Eventualmente as cartas vão desaparecer. Ninguém imprime uma carta, por isso o que se escreve acaba por desaparecer. Penso no que será de nós. Provavelmente nada. Não haverá memória colectiva.
Jens não terá oportunidade para entregar cartas.
As cartas são uma forma de combater a solidão?
Sim, sim... Naquele tempo, não havia praticamente aldeias na Islândia. As pessoas viviam em fazendas isoladas, tal qual eu descrevo nos livros. Não tinham visitas durante semanas ou meses. As cartas eram muito importantes. Receber ou enviar uma carta era espantoso. E não nos esqueçamos: o que fazemos de melhor por nós mesmos, muitas vezes, é escrever. Não é necessário enviar. Esquecemo-nos o quão importante é escrever. Vinte ou trinta anos depois, tens a tua vida escrita e os teus filhos podem lê-la.
Talvez seja melhor não...
Só quando morrermos! Aí já podem. [risos]
A palavra escrita é extremamente importante.
Em "A Tristeza dos Anjos", Jens diz "Tu estás sozinho, eu estou sozinho, por isso não existe "Nós". É uma voz colectiva que representa os islandeses?
Sim e não. Se olharmos para Clint Eastwood, em alguns dos seus filmes, podemos "ver" o Jens.
Jens é extremista. É considerado um personagem muito forte. Tal qual os "heróis" nos filmes de Clint Eastwood, Jens não fala muito. É um homem de poucas palavras. Na Islândia isso sempre foi considerado como força de carácter. Jens é assim. No entanto, se analisarmos bem, também pode ser uma fraqueza. Não falas dos teus sentimentos. Em consequência, não sabes como lidar com eles. Não falas com os outros. Não dás nada. É mau para aqueles que te são próximos.
Podemos ver essa situação em Barour ["Paraíso e Inferno"], não podemos? Ele está sempre a ler e nunca fala. Os companheiros vêem isso como uma fraqueza.
Sim, exactamente. E ler muito não é "cool", na Islândia.
"O Coração do Homem", último livro da trilogia, começa algumas horas depois do fim de "A tristeza dos anjos". O livro começou a ser vendido esta semana. O que nos pode dizer sobre "O Coração do Homem"?
Lembro-me de quando publiquei o meu livro de ficção, em 1996, fazerem-me uma pergunta sobre de que se tratava o livro. Lembro-me de ter ficado bloqueado num silêncio. [risos] Percebi que nunca pensava num livro dessa forma. Primeiro fiquei embaraçado, mas depois percebi que tinha dificuldades em descrever porque não penso no livro assim. O meu trabalho é como uma sinfonia, para mim.
Contar a história não é o mesmo. É como a diferença entre descrever a comida e comê-la. Podes descrever a comida, mas não a saboreias. Contar sobre o que é o livro é deixar de fora quase tudo.
Temos que "comer" o livro.
Sim, temos que "comer" o livro. Tude reside ou deve residir no estilo e nos detalhes.
Sim, temos que "comer" o livro. Tude reside ou deve residir no estilo e nos detalhes.
Pode ser lido de forma independente dos outros dois?
Pergunta complicada... O meu editor gostaria que eu dissesse que sim, imediatamente. Eu sou o autor do livro. Eu não o li, só o escrevi. Perguntar-me como lê-lo... Eu sou a pessoa a quem não deves perguntar como deve ser lido. No entanto, sendo uma trilogia, é sempre melhor ler os três. É possível ler-se "Paraíso e Inferno" ou "A Tristeza dos Anjos", isoladamente, mas penso que se usufrui mais se se ler os três.
Pergunta complicada... O meu editor gostaria que eu dissesse que sim, imediatamente. Eu sou o autor do livro. Eu não o li, só o escrevi. Perguntar-me como lê-lo... Eu sou a pessoa a quem não deves perguntar como deve ser lido. No entanto, sendo uma trilogia, é sempre melhor ler os três. É possível ler-se "Paraíso e Inferno" ou "A Tristeza dos Anjos", isoladamente, mas penso que se usufrui mais se se ler os três.
É mesmo o fim?
"This is the end, beautiful friend", como disse Jim Morrison. Tive algumas queixas de leitores que queriam o quarto livro. Esse livro existe na mente dos leitores.
Numa entrevista a "Icelandic Literature Center", afirmou que escrevia para chegar a alguma conclusão, para descobrir quem é, quem somos e o que andamos aqui a fazer. No fim desta trilogia, conseguiu chegar perto de uma resposta?
Quando comecei a escrever estava convencido de que no fim -até por causa das vozes dos mortos- iria descobrir o que nos acontece depois da morte. Tinha tanta certeza, que chega a ser embaraçante. É ingénuo pensar que se consegue. Eu acreditava nisso.... E ainda acredito que consigo chegar à verdade derradeira, quando começo a escrever.
Não encontro, mas enquanto procuro acho sempre qualquer outra coisa que desconheço. Cito muitas vezes William Faulkner, o grande bebedor de Whisky. Ele disse que no processo de escrita estava sempre a tentar alcançar o impossível. Ele sabia que não conseguia, mas valia a pena tentar. Eu concordo com ele; nisso e em gostar de whisky.
"This is the end, beautiful friend", como disse Jim Morrison. Tive algumas queixas de leitores que queriam o quarto livro. Esse livro existe na mente dos leitores.
Numa entrevista a "Icelandic Literature Center", afirmou que escrevia para chegar a alguma conclusão, para descobrir quem é, quem somos e o que andamos aqui a fazer. No fim desta trilogia, conseguiu chegar perto de uma resposta?
Quando comecei a escrever estava convencido de que no fim -até por causa das vozes dos mortos- iria descobrir o que nos acontece depois da morte. Tinha tanta certeza, que chega a ser embaraçante. É ingénuo pensar que se consegue. Eu acreditava nisso.... E ainda acredito que consigo chegar à verdade derradeira, quando começo a escrever.
Não encontro, mas enquanto procuro acho sempre qualquer outra coisa que desconheço. Cito muitas vezes William Faulkner, o grande bebedor de Whisky. Ele disse que no processo de escrita estava sempre a tentar alcançar o impossível. Ele sabia que não conseguia, mas valia a pena tentar. Eu concordo com ele; nisso e em gostar de whisky.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=844968
O colapso da crítica literária no Fólio Festival Literário Internacional
Pedro Mexia, João Pedro George e Miguel Sanches Neto debateram o estado da crítica literária (e cultural) tanto em Portugal como no Brasil. Foi na 2ª edição do Fólio - Festival Internacional de Óbidos.
A crítica literária está em colapso?
José Mário Silva, jornalista do Expresso, moderou uma conversa bem menos espinhosa, e com participantes bem mais cooperantes, do que a por si mantida com o Nobel V.S. Naipaul.
O tema da mesa organizada no âmbito do Fólio assume especial relevância na literatura. Longe de serem uma Utopia, as mudanças na crítica literária são uma realidade.
Segundo Pedro Mexia, a formulação da mesa era até consensual, pois "o diagnóstico catastrofista é da ordem da evidência". Para o actual consultor cultural do Presidente da República, o colapso da crítica tem boas e más razões.
O "Mandarim cultural" perdeu a sua utilidade, pois não é já um dos poucos com acesso à cultura. A democratização da opinião e do acesso mais imediato à oferta cultural são aspectos positivos, segundo Pedro Mexia. No entanto, nem tudo é bom.
A falta de espaço nos jornais ajuda a que a crítica literária tenha hoje um efeito residual. Só o brilhantismo de um J.L. Borges, como é demonstrado nos prólogos do autor argentino, consegue crítica literária com qualidade em espaço tão curto. Hoje, a crítica nos jornais serve como guia de compras, em que as "estrelas" com que se adjectivam os livros são um sintoma irritante.
"Ao fim de um certo tempo é incoerente. Se nós dermos quatro estrelas a um livro dito menor de Tolstoi e depois dermos cinco estrelas a um livro poemas de um jovem estreante... então o estreante é melhor do que o Tolstoi. Não quer dizer nada. Em última análise, as estrelas são uma distracção".
João Pedro George, a quem já foi atribuído o epíteto de "crítico buldózer", não concorda com a existência de um colapso, mas sim na de uma evidente descentralização.
A ideia de colapso não é factual nem nova. O fim catastrofista é constante no discurso: "o fim da História", " a morte do autor", "a morte do romance".
"O colapso da crítica é uma constante do próprio discurso da crítica. A crítica tem uma tendência permanente para a eutanásia. Este contexto catastrofista tem a ver com uma certa volúpia que as pessoas sentem pelo desastre. Faz-me lembrar o "Crash", do Ballard, em que os indivíduos têm excitação sexual com o desastre de automóvel. E volúpia por quê? Quem anuncia o desastre está, de algum modo, a acariciar o seu próprio ego. É um pretexto para ele próprio fazer um apelo, colocando-se fora do próprio diagnóstico".
Para o antigo colaborador do jornal "O Independente", a crítica está mais viva do que antes. Se se apresenta em colapso nos jornais é porque os jornais estão em colapso. Quanto à menor influência do crítico tradicional, João Pedro George afirmou não saber se é bom ou mau. "A crítica entendida como capacidade de julgar não está em colapso, pelo contrário! Está mais viva do que antes"
"No Brasil é mais apocalíptico ainda", de acordo com Miguel Sanches Neto, poeta e crítico literário brasileiro.
A diminuição dos espaços é comum aos dois países. Até há dez anos, a crítica era uma forma de sobrevivência do escritor. Os críticos tinham a capacidade para fazer ou destruir uma carreira literária. O espaço foi diminuindo; o poder da crítica, também. Hoje praticamente não existe.
"O grande espaço de sustentação de discussão sobre os livros é o blogue".
A voz cultural foi sucedida pelo murmúrio, segundo Sanches Neto. São muitas pessoas falando ao mesmo tempo. O modelo da crítica está em colapso. No entanto, o grande papel da crítica mantém-se, seja nos jornais ou nos blogues: Apontar caminhos.
domingo, 2 de outubro de 2016
Entrevista a Salman Rushdie. Fólio 2016
Foto CM_Óbidos
Realismo Mágico
"Senti que depois de estar tanto tempo a contar a verdade, fiquei farto de contar a verdade. (…) Se olhar para trás, vejo que depois de acabar as memórias pousei um grande peso. "
"O realismo mágico funciona quando o levas completamente a sério. Se isto estivesse a acontecer, como seria? Se acordasses, de manhã, numa em cama em Viena e tivesses sido transformado num insecto gigante? Como é que isso seria? "
"Não há nada demasiado louco. Há só aquilo que consegues que as pessoas acreditem. Quando se sai do Naturalismo, tu tens que fazer com que o leitor diga "Ok. Eu acredito." E para fazeres isso, tu tens que fazer com que as personagens sejam verosímeis. O lugar onde tudo acontece tem de parecer real."
Versículos Satânicos
"Apesar de ser um episódio que se passou há vinte e oito anos, é algo sobre o qual me perguntam sempre que falo com um jornalista. Não há muitos escritores a quem perguntam sobre o que escreveram há 28 anos. Foi quase há 30 anos. "Versículos Satânicos" foi o quinto livro que publiquei."
"O principal problema para mim foi que muitas pessoas, que não leram o meu trabalho, pensaram que sou um escritor "negro". Não sou."
"Penso que todos deviam ler o meu trabalho da frente para trás. Comecem agora e vão para trás. Quando chegarem aos "Versículos Satânicos" já vão ter uma ideia de quem sou."
Religião
" A religião é um assunto entediante, mas infelizmente aqui está sentado no meio da sala. É muito difícil se estás a escrever sobre a sala e ignorares o que está sentado bem no meio."
"Um elefante [no meio da sala] é pequeno em comparação. É um rato comparado com a Religião"
"É claro que devemos gozar com a religião, pois a religião é absurda. Se não podes gozar com o absurdo, podes gozar com o quê?"
"No que diz respeito ao extremismo religioso, claro que temos que gozar com ele."
"Um das coisas que eu dizia sobre o ataque ao meu trabalho, era que era uma batalha entre os que tinham senso de humor e os que não tinham."
Clara Ferreira Alves: "O teu amigo Christopher Hitchens escreveu um livro a dizer muito mal de Madre Teresa de Calcutá, uma nova santa. Ninguém tentou matá-lo.
SR: "Não. Talvez excepto Madre Teresa. A verdade é que ele estava certo sobre Madre Teresa. Ela era muito suspeita. Recebeu dinheiro de Ceausescu, deixou pessoas morrer nos seus hospícios quando poderiam ter sido salvas nos hospitais. Ela é o oposto de uma santa".
SR: "Não respondas à crítica com violência"
CFA: "Não convidaste o Ayatola Khomeini para tomar chá para falar sobre o assunto.
SR: Não me ocorreu. Mas deixa-me sublinhar que um de nós está morto.
CFA: E não és tu.
SR Sabem...Não se metam com escritores
"A Índia dos pais fundadores foi fundada com base na ideia do secularismo e na tolerância religiosa. Agora são ideias repetidamente desrespeitadas pela actual liderança. (…)
"Penso que vivemos numa época negra. (…) na minha experiência, é a pior altura de que me lembro"
Nova Iorque, escrita, e afins
"Sinto-me em casa."
"Sempre me interessei por cidades com pessoas vindas de outros lugares."
"Fui inspirado por escritores americanos mais novos do que eu. Existem escritores americanos de todo o lado"
CFA- "Quando era com Martins Amis os rapazes "cool", fumando charros..."
SR- Eu, não...
CFA"...não...e não inalou. Ainda é um rapaz cool"
SR" Obrigado. Eu acredito em si...eles [público] não acreditam."
Sociedade tecnológica
"Antes quando alguém caminhava na rua na falar em voz alta, tu pensavas que essa pessoa era louca. Agora estão somente ao telefone. Toda a gente conta a sua história, quando discute com a namorada, ou explicam ao patrão a razão de não estar no trabalho. Toda a gente fala como se ninguém estivesse a ouvir."









