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terça-feira, 10 de abril de 2018

Nova edição de 'Odisseia', revista e anotada por Frederico Lourenço


Texto publicado em Comunidade Cultura e Arte:

https://www.comunidadeculturaearte.com/chega-hoje-as-livrarias-a-nova-edicao-de-odisseia-revista-e-anotada-por-frederico-lourenco/





A nova edição é publicada pela Quetzal. Nas "férias" da Bíblia, o tradutor revisitou Ulisses. São mais 300 páginas do que a edição anterior, devido a anotações

No seguimento da publicação da "Bíblia", Frederico Lourenço continua a publicar na Quetzal as traduções de obras canónicas da literatura universal. E não foi coincidência o facto de a nova tradução da "Odisseia" ter sido anunciada na Cinemateca Portuguesa, local escolhido para a apresentação da tradução da Bíblia.
A intenção subjacente a esta nova edição, segundo o tradutor, é diferente da de 2003, então publicada pela Cotovia. Houve especial atenção com a beleza da linguagem e com a limpidez e a simplicidade que remetem para a língua original, sem abdicar do rigor.
Esta edição da Odisseia foi feita em moldes muito diferentes das edições anteriores, em que existiam gralhas que foram passando. Os apelos de leitores e a consciência de que as anotações iluminariam o texto serviram também de motivação extra para uma nova tradução.


"A Odisseia sempre foi a minha grande paixão". É um texto que nunca o cansa e cuja tradução precisa de ser aperfeiçoada verso a verso, palavra a palavra. "É um texto inesgotável", afirmou, sem deixar de sublinhar que não é perfeito. Existem incoerências próprias de um texto preparado para ser comunicado oralmente.
"Quanto mais eu estudo a Ilíada e a Odisseia, quanto mais eu aprofundo estes textos, mais me convenço de que estes textos foram compostos com a ajuda da escrita, mesmo que fosse de um poeta que vinha da tradição oral e que compunha de acordo com todas as regras e a linguagem da tradição oral."
Depois de se ver o poema debaixo do microscópio, verso a verso, começa-se a perceber que a perfeição absoluta não está lá; não existe um hipotético planeamento, sem incoerências, até ao último pormenor.
De forma diferente às anotações presentes na Bíblia, que estão na própria página do texto sagrado, as anotações de a Odisseia encontram-se no fim de cada Canto, "para salvaguardar a ideia de que a Odisseia pode ser lida como um poema absolutamente deslumbrante e também pode ser lida como um poema crítico". Esta nova edição dá essa dupla oportunidade. O leitor pode optar por esclarecer dúvidas e aprofundar o conhecimento, ou ficar-se pelo deslumbramento do poema.
Nas notas, o tradutor não tomou nenhum partido relativamente às muitas controvérsias existentes sobre a Odisseia. Tentou ser o mais isento possível em relação às diferentes teorias existentes e procurou reunir, nessas notas, diferentes pontos de vista com o objectivo de dar ao leitor a possibilidade de ele próprio formar a sua opinião.
Em consequência, esta edição da Quetzal tem mais cerca de 300 páginas (700 no total) do que a edição de 2003, publicada pela Cotovia.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

A Bíblia traduzida por Frederico Lourenço


Quetzal publica a mais completa edição da Bíblia em português

A Cinemateca Portuguesa foi o local escolhido para o editor Francisco José Viegas e Frederico Lourenço, que assume a tradução integral, anunciarem a tradução da Septuaginta (Bíblia grega).
Composta por seis volumes, a Bíblia terá o seu primeiro volume publicado no próximo mês de Setembro. O segundo volume, com possível saída para as livrarias num espaço de seis a oito meses, completará o Novo Testamento. Os seguintes quatro volumes compõem o Antigo Testamento, com o último a ser publicado no início de 2019.
A edição da Quetzal contempla os 27 textos do Novo Testamento, iguais em todas as versões, os 46 do Antigo Testamento presentes na Bíblia Católica e ainda os seguintes sete:
3.º Livro dos Macabeus, 4.º Livro dos Macabeus, Salmos de Salomão, Odes, Livro de Susana, Bel e o Dragão e Epístola de Jeremias.
São mais 14 livros do que os existentes nas Bíblias protestantes e mais 7 do que os presentes no actual cânone católico.
É a versão mais completa alguma vez publicada em língua portuguesa.
Francisco José Viegas não escondeu o seu entusiasmo por uma edição que pode marcar a sua vida profissional de editor e a de Frederico Lourenço, como tradutor. Segundo o editor da Quetzal, houve um momento inspirador. Aconteceu em 1450, ano em que Gutenberg começou a impressão da Bíblia. A maior portabilidade da impressão determinou a história da leitura, da literatura e da própria Bíblia. É devido a Gutenberg que a cultura tem o seu centro no livro.
"O sonho de qualquer editor é, também, reproduzir o gesto de Gutenberg".
Depois da leitura das primeiras páginas desta tradução, Francisco José Viegas apercebeu-se que estava perante uma experiência múltipla, pois o texto "tem a ver com poesia, tem a ver com a História, tem a ver com a língua, com a religião e com a contemplação. Precisamos de contemplar a Bíblia"
A tradução desta edição da Quetzal é o trabalho de um homem solitário, com coragem para enfrentar 2000 anos de texto e de diferentes versões, em busca da palavra original.
Frederico Lourenço, tradutor de "Odisseia" (Cotovia) e "Ilíada" (Cotovia), cedo pensou em traduzir a Septuaginta para português, mas esperou até ter o conhecimento e a maturidade para o fazer.
Frederico Lourenço comprou uma edição do Novo Testamento em grego no verão de 1984, numa banca perto da Feira do Livro, antes de entrar para o 1º ano de Estudos Clássicos, na Faculdade de Letras de Lisboa.
"Não tinha ainda conhecimentos de grego que me permitissem ler aquele livro, mas comecei a tentar ler. Ao longo destes anos todos em que tenho estudado grego, aquele livro tem sido dos livros que eu mais li e que mais quis ler."
Após a tradução das obras-primas da literatura clássica, é tempo de se dedicar ao "Livro dos livros"
A nova tradução da Bíblia é feita com o intuito de ser inteligível a leitores com ou sem preparação teológica, crentes ou não-crentes. A preocupação de "aproximar" o texto dos leitores leva a que Frederico Lourenço utilize diferentes estratégias para facilitar a compreensão do texto.
As notas sobre diferenças relevantes na tradução, que podem implicar diferentes significados, são explicadas; sinais gráficos como os parênteses são usados para identificar palavras que não estão no texto original, por serem subentendidas na época da escrita, mas que agora são necessárias; existe uma introdução geral à obra e outra a cada um dos volumes. Nessas introduções são explicadas várias questões históricas e linguísticas, de forma a iluminar o sentido do texto bíblico.

Em "O Livro Aberto: leituras da Bíblia" (Cotovia) percebe-se a perspectiva do tradutor sobre o colossal trabalho que enfrenta. A erudição de Frederico Lourenço e a louvada capacidade de transposição da "Ilíada" e "Odisseia" do grego para português credibilizam o trabalho sobre o texto bíblico.
O pensamento que rege a organização desta nova versão já é perceptível em "O Livro Aberto: leituras da Bíblia". Após a leitura desta obra, percebe-se a diferença estrutural imposta por Frederico Lourenço nesta nova tradução. A organização dos textos fundamenta-se na abordagem histórica ao invés da abordagem teológica, para que "as pessoas consigam perceber que o primeiro livro que nós lemos na Bíblia não é o livro mais antigo da Bíblia. Nas nossas Bíblias cristãs, o Antigo Testamento está organizado  de acordo com a lógica "Livros da Lei", "Os Livros Sapienciais" e os "Livros Proféticos". Esta organização tem, no seu fundamento, a ideia de que o Antigo Testamento é um prelúdio do Novo Testamento. Os "Livros Proféticos" são os últimos porque, segundo Frederico Lourenço, são os que melhor se entrosam no Novo Testamento.
"A questão é que alguns dos "Livros Proféticos" são os textos mais antigos da Bíblia; são muito mais antigos do que o Livro de Génesis".
O colossal trabalho que o professor, escritor e tradutor Frederico Lourenço tem até 2019 implica dedicação e concentração totais. Outras possibilidades de trabalho foram recusadas.
A nova tradução da Bíblia, cujo texto continua a captar interesse e a demonstrar actualidade, pode ser o trabalho da vida de um tradutor. A sua edição, o trabalho da vida de um editor.
Frederico Lourenço confessou que voltou a sentir o medo que sentiu nas traduções dos dois livros de Homero: o medo de morrer sem acabar o trabalho.


http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=835516








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